quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

"Como é que um modesto, pacato e discreto empregado de escritório, se transforma num génio?"

Fernado Pessoa é considerado um dos melhores poetas Portugueses. Era um homem simples, reservado e com uma grande inteligência .
Foi o fundador de uma Língua Portuguesa moderna, e criou uma obra única, expressando-se tanto com o seu próprio nome, como atráves dos seus heterónimos.
Fernado Pessoa, desde muito novo sentia a necessidade de escrever e criar personagens.
O seu pecurso intelectual dificilmente se descreve em poucas linhas. É sobretudo o relato de uma grande viagem de descoberta, à procura de algo divino, mas sempre desconhecido.
Pessoa, regressou a Portugal com 17 anos com a intenção de estudar o curso de Letras, mas os seus estudos não tiveram sucesso e Pessoa utilizou os seus conhecimentos da língua inglesa para trabalhar com diversos escritórios de Lisboa como correspondente comercial.
Ao mesmo tempo que trabalhava começou a escrever a sua grande obra, concluindo-a após trinta anos.
Pessoa tornou-se um génio pela homem que foi. Um homem com uma grande inteligência e uma grande capacidade de escrita, que criou ao longo da sua vida diversos livros e colectâneas de poesia como, a "Mensagem", uma obra publicada ainda em vida.
Fernando Pessoa, enquanto desempenhava as funções de empresário, editor, crítico literário, activista político, tradutor, jornalista, inventor, publicitário e publicista,  produzia também a sua obra literária. Isto, já faz com que Pessoa fosse um génio. O facto dele ser considerado  universalmente um dos maiores poetas de sempre não em vão, pois tudo o que ele fez durante a sua vida fez com que hoje seja reconhecido.
Para além de ser um grande escritor/ poeta, Pessoa sempre foi uma homem humilde, bondoso, discreto, de uma grande nobreza de carácter, sempre disponível para ajudar os outros.
Todas estas qualidades interiores e exteriores faz com que Fernando Pessoa, seja reconhecido tal como merece ser.
Como é que um grande homem como este não poderia ser reconhecido como um génio sendo a  pessoa que foi?

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

"Liberdade" - Álvaro de Campos



A liberdade, sim, a liberdade!
A verdadeira liberdade!
Pensar sem desejos nem convicções.
Ser dono de si mesmo sem influência de romances!
Existir sem Freud nem aeroplanos,
Sem cabarets, nem na alma, sem velocidades, nem no cansaço!
A liberdade do vagar, do pensamento são, do amor às coisas naturais
A liberdade de amar a moral que é preciso dar à vida!
Como o luar quando as nuvens abrem
A grande liberdade cristã da minha infância que rezava
Estende de repente sobre a terra inteira o seu manto de prata para mim…
A liberdade, a lucidez, o raciocínio coerente,
A noção jurídica da alma dos outros como humana,
A alegria de ter estas coisas, e poder outra vez
Gozar os campos sem referência a coisa nenhuma
E beber água como se fosse todos os vinhos do mundo!
Passos todos passinhos de criança…
Sorriso da velha bondosa…
Apertar da mão do amigo sério…
Que vida que tem sido a minha!
Quanto tempo de espera no apeadeiro!
Quanto viver pintado em impresso da vida!
Ah, tenho uma sede sã. Dêem-me a liberdade,
Dêem-me no púcaro velho de ao pé do pote.
Da casa do campo da minha velha infância…
Eu bebia e ele chiava,
Eu era fresco e ele era fresco,
E como eu não tinha nada que me ralasse, era livre.
Que é do púcaro e da inocência?
Que é de quem eu deveria ter sido?
E salvo este desejo de liberdade e de bem e de ar, que é de mim?

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

«Se a tristeza tivesse tamanho, levantar-me-ia todos os dias consumido numa montanha de tristeza. Se o anseio tivesse língua própria e melodia, ouvirias sinfonias. A única geografia que conheço é a que me leva ao Sul. Do cimo da montanha, a minha visão é tão nítida como a de Zarqa al-Yamama e atravessa as distâncias até às portas de Bagdade e até à tua janela.
O Norte pergunta por ti ao sul, os topos das montanhas perguntam por ti aos edifícios de Bagdade, as nogueiras-pecãs perguntam por ti às palmeiras, mas não há respostas. Cubro distâncias, sobrevoo montanhas em busca de uma palavra tua, mas as palavras não chegam e a distância está a matar-me.
Diz-me como encontrar o caminho para o teu coração, e eu irei percorrê-lo. Estou pronto para viajar até ti, dá-me um sinal e eu irei. Não quero mentir-te, podes estar certa de que o que digo é verdade. Sacrificaria a minha vida por ti.»

(Sasson, Jean. "Amor em Terra de Chamas")

quinta-feira, 25 de novembro de 2010




«Todos os outros vieram
Tentaram fazer-me rir
Brincaram comigo
Algumas vezes para rir e outras a sério
E depois partiram
Abandonando-me nas ruínas das brincadeiras
E eu não sabia quais eram a sério.
Quais eram para rir e
Vi-me sozinha com os ecos de risos
Que não eram os meus.

E depois chegaste
Com os teus modos estranhos
Nem sempre humanos
E fizeste-me chorar
E não pareceste importar-te que chorasse.
Disseste que as brincadeiras tinham acabado
E esperaste
Até que as minhas lágrimas se transformassem
Em alegria

(Hayden, Torey. "A criança que não queria falar")

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis." (Pessoa, Fernando)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

"Homenagem ao grande escritor José Saramago, que hoje faria 88 anos"

gy


"Deixa-te levar pela criança que foste"

"A criança que eu fui não viu a paisagem tal como o adulto em que se tornou seria tentado a imaginá-la desde a sua altura de homem. A criança, durante o tempo que o foi, estava simplismente na paisagem, fazia parte dela, não a interrogava, não dizia nem pensava, por estas ou outras palavras: "Que bela paisagem, que magnífico panorama, que deslumbrante ponto de vista!" (Saramago, José. Pequenas Memórias)

Fernado Pessoa













"Segue o teu destino"


Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.


A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.


Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.


Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.


Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.


               Ricardo Reis